Que ainda ontem as lembranças não chegavam. E o sorvete de
coco tinha mais sabor da fruta que da saudade. O pôr do sol moldava os rostos
que eu não conhecia e o vento liberava todos os medos que eu fingia. Que ainda
ontem as risadas não doíam. E os passos seguiam mais a intuição que a vontade. O
suor molhava os sonhos que eu teria e a areia escondia as dúvidas que eu distraía.
Que ainda ontem o cansaço não incomodava. E a maresia tinha mais toque de leveza
do que intimidade. As redes pescavam os
gritos que não eu não daria e o céu brilhava as vozes que eu mentia. Que ainda
ontem as memórias não ousavam. E o mar balançava mais emoção do que naturalidade.
As bolhas de sabão embrulhavam os sons que eu não sabia e os pássaros cantavam
as lágrimas que eu perdia. Que ainda ontem o sono não escapava. E as ondas lavavam mais ilusão do que sensibilidade.
A brisa afogava as certezas que me perseguiam e o cachorro lambia as dores que
eu escondia. Que ainda ontem o coração não falhava.
17 setembro 2012
08 setembro 2012
História minha
São distorções,
borrões, rascunhos. Numa tigela não muito funda, um pouco do que sou se mistura
agora com o que eu teria sido e com o que ficou perdido em um tempo que eu não
lembro mais. Um pouco também do vi e do que ouvi. Em vozes que eu já não
reconheço. Histórias que eu queria contar como minhas. Porque tudo parece mais
claro de fora. Mais limpo. A dificuldade que sinto de enxergar de muito perto
me leva a lugares que sempre desprezei. E uma vez neles, não sobram muitas saídas.
Talvez um mergulho nas profundezas de mim seja a questão. Ou a ilusão que resta
para libertar tudo aquilo que eu não controlo mais. É difícil saber ao certo o
que encontrar em caminhos tortuosos, moldados com lama, dúvida e fantasia e decorados
por uma devastação intensa que beira a loucura. Mais difícil é precisar percorrê-los um dia para saber como termina a história que um
dia foi minha.
21 agosto 2012
17 agosto 2012
Verde dos olhos
Entre a pressa
de olhares corridos e o exasperar incontrolável dos sentidos, confundindo
timidez com indiferença, passos com rodopios, frases de tempo com declarações, existe
um intervalo de tempo curto, mas controlável, em que se pode enforcar os
pensamentos mais obscuros e dobrá-los à razão em lugar do desejo. É nesse
intervalo que Emília se encontra nesse momento. Ela sabe que trocar o caminho
principal por um atalho desconhecido e misteriosamente perigoso agora é
suicídio premeditado, de todos os anseios que já conseguiu dominar. E que dessa
vez não suportaria o frio das noites intensas de inverno, porque suas crenças
não podem mais aquecer a carne e a ferida expostas em museus da
sua própria consciência. Mas a tentação. Ah... A tentação de ver uma
substituição tal como deve ser. E a fome de vingança. A sede do novo. É quase
como se não existisse escolha. Emília
tem pouco tempo antes de suspirar o estrago. Mas se vai mesmo optar pela
fantasia, que suas futuras dores de cabeça não culpem o brilho de seus olhos,
mas o verde dos olhos que os fazem brilhar.
10 agosto 2012
Atalhos
E assim vamos fazendo as substituições. A margarina pelo requeijão, o
café pelo suco. E vamos substituindo também os caminhos principais pelos
atalhos. A coragem pela desconfiança. A
alegria pelo cansaço. E então nos deparamos com mais escolhas saídas da
necessidade em lugar da vontade. E vamos esquecendo sabores, sensações, situações.
Abraçamos as causas mais aparentes. Acreditando, talvez, que a
prudência nos faça menos ofegantes. Assim vamos
substituindo também os sorrisos espontâneos pelos menos
verdadeiros. A esperança pela paciência. A espera pelo remédio. A dor pela
vodca. E vamos substituindo as roupas, os calçados, os perfumes, as fraquezas. Pessoas, olhares, sentimentos. Um sonho por outro sonho. E
acordamos com novas razões e mais uma pilha de substituições,
desejando que alguma coisa, finalmente, faça sentido. E então chega a hora de nos substituírmos
por nós mesmos.
03 junho 2012
Dança em mim
Das poucas coisas que me validam, há certamente uma que se desprende de mim com tamanha leveza ao mesmo tempo que se prende a mim de maneira tal que não a posso deixar. Vai e volta cada vez mais forte, em momentos que eu por vontade não quero, mas por falta de escolha, preciso. Que desde que encontrei no um, dois, três,
cinco, seis, sete, algo que não sabia existir em mim, perdi a parte que talvez me fizesse triste de não ter mais jeito. Não que esse encontro tenha me projetado a alegria de estampas e sorrisos. Talvez seja até imperceptível na face. Mas a verdade é que uma pequena mudança, discreta, tímida, porém contínua, lá de dentro, por sob a pele, por sob os monstros que eu reconhecia maior em cada noite mal dormida, mudou para sempre a forma como eu enxergava os lados. É como se
um leve sopro me afastasse de um sono inquieto, nem que pelo tempo de uma música. Mas os efeitos, geralmente, perduram mais, em fragmentos no dia seguinte, e, quem sabe, no outro ainda, porque, na maior parte do tempo, são meus pés cansados que fazem meu dia mais leve. Que eu nunca mais esqueça que, mesmo nos dias em que essa chuva fina insista em borrar o meu caminho, mesmo nesses dias, eu tenho a dança em mim.
21 maio 2012
Frestas de Transparência
Sentia falta de falar. Não só de escrever. De ouvir
as palavras saírem da boca sem pensar antes no que dizer. Sem intencionar cada
letra, vírgula e ponto às regras. Sem sinônimos para as repetições. Sem
norma. Priorizar o improviso à estética. Falar como saísse, como viesse. Frases
incompletas, incorretas, insensatas. Talvez acreditando que a rapidez do
raciocínio esclarecesse sentidos menos nobres e mais inteiros. Fechando, às
vezes, lacunas de verdades e, outras vezes, abrindo frestas de transparência. Deixando à mostra a dor, a raiva, a imperfeição, a calma, a alma, a adoração, a
vontade, a saudade, a beleza, a dúvida, a leveza. Falar por falar, por querer,
por saber. Falar e ser ouvida. Sem obrigações, nem regras, nem normas, nem
imposições. Falar e ouvir. E falar mais. E falar até ouvir.
21 abril 2012
Tempos Inquietos
E então chegou a hora da faxina. Do descarte. Da limpeza profunda. Entre presentes, flores e fotografias, eu escolho minha vida de volta, a de antes, a dos sonhos e das danças. Eu escolho a felicidade tímida e constante em vez dos rompantes de risos e estampas de alegria que me falsificam. Chegou a hora do desentulhar, desencavar e guardar somente aquilo que não me aborrece. Eu já cutuquei a ferida e agora a espero fechar, sem pressa, sem intervenções. Em seu tempo, não mais no meu, porque eu já sei como acaba. E dessa vez as folhas secas do outono não me recolhem. Mas é o inverno mais frio que o de costume que me desencoraja. Eu atravesso tempos inquietos. De dúvidas, de questionamentos, de respostas que não mais me convencem, mas acabam servindo. Talvez por preguiça. Talvez por descrédito. Se não fosse esse inverno mais longo que o de costume, eu sei que eu já teria florido mais rápido. E já seria mar em fim de tarde. A vida dá voltas e a amanha pode ser a minha vez.
02 março 2012
Flores de Abril
Não é saudade. É só a lembrança se deixando convidar por sensações encaixotadas pela prudência. Às vezes, no toque de uma dança, nos pingos fortes da chuva, no sorriso de um desconhecido, no cheiro que me invade por alguns segundos e se vai quando a porta abre e o elevador esvazia no andar seguinte. Sentidos que acendem sua presença ainda ativa, mas escondida em algum canto reminiscente da alma. E por alguns instantes, o pensamento se desvia das ações do momento e esbarra nos toques firmes e vigorosos das mãos, das vezes que a gente debochava do despertador aos berros e fazia hora extra na cama ou afastava a atenção da tela e a metia entre as pernas entrelaçadas no cinema. De quando a gente ria ensopado, tentando apertar um lugar debaixo do guarda-chuva. E as bobagens sussurradas entre taças de vinho tinto e músicas de vitrola. E o ardor do incenso queimando a sala. Das lembranças de um outono que despejava flores de abril na janela do meu quarto e ventava cenários de recomeço, não guardo a tristeza disfarçada de melancolia e nem me oponho à saudade. Mas não evito mais as memórias protegendo da vida as sobras de tempos que se perderam. Que agora fragmentam o meu dia e deságuam a minha noite. E, quando me tomarem de novo, é provável que um sorriso tímido se forme e talvez algumas lágrimas floresçam, mais por costume do que por qualquer outra coisa.
12 fevereiro 2012
Fim de caso
O adeus. Depois do banho apressado, da preguiça do despertar, do chá fervendo, da cama feita às pressas, do sorriso debochado, das frases desconexas da manhã, dos latidos de bom dia. Da noite mal dormida fica a dúvida. Nós vemos ainda? E a pergunta nunca feita também não atropela respostas vazias. Nenhum de nós ousaria. Mas o abraço mais demorado e o beijo mais encorpado duvidam do depois. Ficam como despedida. Eu não encorajo outro pensamento. Não espero o celular tocar. Não confiro emails. Os dias passam, às vezes, as semanas. Ainda sem resposta. A lingerie nova é mais prevenção do que vontade. Acabo me convencendo do pra sempre. Reservo seu espaço na lembrança. Anda Fraca, mas funciona. Não se espante se quando pensar em você não fizer queixas. Nem cobranças. Aprendi a priorizar os seus bons momentos e a limitar o meu acesso aos ruins que deixou. Normalmente faria o contrário. Deixaria os piores mais aparentes, para que antes de pensar em saudade e procurar o seu endereço no GPS, lembrar do por que mesmo que não fui atrás. É minha tática do adeus. De vez em quando dá certo. Mas com você não preciso. Você não pesa a minha cabeça. E isso é o que o deixa mais interessante. Dessa vez, não me obrigo a apagar números do meu telefone. Se algum dia me ligar de novo, vou saber que é você. E quem sabe retorno? Melhor pensar mais antes de discar. Nem sempre vale prolongar o fim de um caso que já foi desfeito.
03 fevereiro 2012
O novo funcionário do financeiro
Do outro lado da lona branca, meio translúcida, a Santo Amaro aparecia tomada por rastros de luzes em movimento, dos carros apressados para a sexta-feira. De lá pra cá, a travessa escondida da avenida exibia-se mais animada que de costume, com long necks à boca e corpos em movimento. A música abafando o som das buzinas irritadas da sexta era quase um convite a quem passasse mais atencioso pela calçada, não fosse a barreira da lona, fechando a rua sem saída. Do meu lado, rostos ainda pouco conhecidos dos primeiros dias de trabalho. Por esse motivo, não estranhei nunca ter visto o novo funcionário do financeiro. Também não desconfiei que ninguém ali o conhecesse pelo simples fato de que ele não existia. A invenção eu fui saber mais tarde, pelo próprio. Depois de alguns minutos de conversa, veio a confissão. Já tinha ouvido muito falar do tipo, soube de histórias, vi em filmes. Assim de perto foi a primeira vez. Uma conversa na portaria, a escolha de um nome que existia ali e a chance de entrar. O segurança se encarregou de complementar, sem que se desse conta, a história inventada. A passagem se abriu para o rapaz que então esperava a moça do figurino, de quem nunca tinha ouvido falar. Aliás, ele sequer imaginava de que ramo era a empresa que dava a festa, mas a fachada modernosa e elegante e o paredão grafitado já chamavam há algum tempo a atenção do estudante de arquitetura com interesse especial por design gráfico. Trabalhava ali perto. Moço falante e simpático, de sorriso fácil, de amizade rápida. O tipo físico, piercing, cabelo bagunçado, roupa esportiva, não combinava com a seriedade da função imposta, mas o cargo a ele atribuído pelos meninos do roteiro, de quem fez amizade logo na entrada, acabou pegando. Gente boa, esse pessoal. E era mesmo. Eu também notei rápido. A quem se aproximava, ia ele sendo apresentado por seus anfitriões. Esse é o novo funcionário do financeiro. Até que recebeu da diretora o aval para ser membro da equipe. Do roteiro tinha mais jeito. Gostava de histórias. De ouvi-las e, principalmente, de contá-las. Certamente essa será mais uma. Aos amigos, ou, quem sabe, aos desconhecidos de outras comemorações, não perderá a chance de contar sobre a noite em que descolou uma festa, uma carona, um cargo fictício, boas conversas, longas risadas. E se o rapaz é mesmo adepto de invencionices, quem sabe também não espalhe que acabou saindo de lá com a tal moça do figurino. Se a história pegar, ano que vem, talvez não passe o penetra de mais um convidado.
Noites forçadas
Apelo para os remédios. Que mais me devolveria a noite se carregasse as mágoas e os rancores do dia? Da resposta que esperei e não tive resta agora sono. Serve. Desprezo melhor que a cara no travesseiro e a mente distante eu não daria. Mesmo forçado. Que diferença faria? Durante o dia os olhos pesam mais que a lembrança. E a ansiedade fala mais alto que a balança. Ferve. Se não chover eu caminho. Cansaço forçado. Sono forçado. Até a dor dói forçada. Espero o remédio acabar ou o forço a acabar comigo? Perde.
28 janeiro 2012
Emília falou comigo
Há poucos semanas, ouvi uma conversa sobre a necessidade de deixar que o personagem fale com seu autor. Tratava-se de uma conversa entre pessoas que escrevem ficção. Eu, como jornalista, sempre ouço o personagem falar. Quando o questiono. E o personagem fala sempre algo real. Claro. Ainda sinto dificuldade em escutar os personagens que eu crio. Numa madrugada dessas, porém, ouvi com tanta clareza que me espantei. Emília, a personagem, não me deixou dormir naquela noite. E eu tentei, mas ela falava, gritava, às vezes. Cansada de me revirar na cama, pedi trégua. Ok, Emília, anoto as suas ideias e volto a dormir. Emília não se contentou. Voltou a me acordar e pediu para que eu digitasse também as suas falas. O resultado é que criei a minha primeira peça. Boa, ruim, razoável? Não tenho parâmetro para responder. Mas a única pessoa para quem eu mostrei até agora (que, por sinal, dará forma à Emília, se um dia a peça for encenada) gostou. E eu gostei da experiência. Que mais personagens falem comigo. Que eu lhes dê ouvidos.
20 janeiro 2012
10 janeiro 2012
Muito obrigada
Depois de um dia em que muita coisa deu errado, dois emails na minha caixa de entrada encerram melhor essa noite. É bom ler palavras de amigos queridos e me saber querida por eles também. Não são muitos os amigos que tenho. Alguns não tão presentes quanto eu queria. E nenhum condecendente. Eu tenho amigos que, mesmo distantes, cuidaram de mim quando tive o corpo saudável e a alma doente. Brigaram comigo quando, perdida em delírios e diminuída por depressões, não tive coragem de subir os degraus que derrapei por descrença. Amigos que, muitas vezes, com palavras sábias e intenções legítimas, não conseguiram abrandar as minhas mágoas, mas ouviram o meu choro até a exaustão física. Amigos que bateram o telefone na minha cara, irritados com a minha apatia. Que retornaram me dando mais uma chance e quantas outras eu precisei. Amigos que entenderam a minha necessidade de afastamento e torceram por mim quando tive de me isolar de tudo. Todos deveriam ter amigos como os meus. Por isso hoje vou seguir o conselho que um deles não cansa de me dar, mas que eu, embora ouça com atenção e concorde com convicção, não tenho tido a decência de praticar: o agradecimento. Hoje eu quero agradecer aos amigos que Deus colocou em minha vida. Muito obrigada.
09 janeiro 2012
Desamor
E esse dia finamente chegou. De todas as vezes que imaginou quando como seria atender ao telefone sem pensar em quem estaria por trás da linha. De como seria tirá-lo do gancho simplesmente, num gesto tão corriqueiro e trivial como escovar os dentes ou lavar os olhos. Levar o fone à boca, sem expectativas, receios, angústias. Sem aquela palpitação que fazia a voz de Emília fraquejar no momento do alô e o peito dela se encher de ansiedade até ouvir a voz do outro lado da linha, que a certificava do que era óbvio demais para aceitar: não se tratava de Pedro. Seria ingenuidade acreditar que, do outro lado, pudesse mesmo estar Pedro. Como se Pedro ainda lembrasse seu número. Depois de tanto tempo, de tantos enganos e desencontros, dissabores e desamores. O mais provável é que Pedro nem lembrasse mais o seu rosto. Mas como é traiçoeira a esperança de Emília. Dribla todo o sentido da razão e faz da sua própria razão a versão mais sensata. Quem pode culpar Emília de ter esperança. Por que não poderia ser Pedro? E se Pedro, mesmo depois de tanto tempo, sentisse saudade, só não tivesse coragem de ligar? Nem todo o homem tem coragem de ligar depois de tanto tempo, talvez nem mesmo Pedro. Nem toda a mulher aceitaria essa ligação depois de tanto tempo, talvez nem mesmo Emília. Não era Pedro ligando. E, pela primeira vez em anos, Emília ouviu o telefone tocar e correu para atender sem querer que fosse Pedro. Sem lembrar de Pedro. E conversou, desligou, fez a janta, viu um filme, leu dois capítulos de um livro e nada de Pedro. Nem quando deu ração ao Bernardo, o gato que Pedro nunca mais voltou para buscar. Mas antes de dormir Pedro voltou. Sorrindo como sempre. Pedro fez falta no pensamento de Emília. E ela ficou com medo de não precisar mais de Pedro. Emília agora vai ter que se ocupar de algo novo antes que Pedro suma de vez. E isso a assusta, mas hoje, pela primeira vez, em muitos anos, ela quer viver, de verdade, sem Pedro.
01 janeiro 2012
Sorte de Ano Novo
E o primeiro dia chegou chuvoso como tantos outros que eu levo na lembrança. E como em tantos outros aceitei o convite e me deixei molhar. Chuva de ano novo purifica a alma. Como dizem. Traz sorte. Dizem. Mas eu nunca levei muita fé nessas crendices, embora fizesse questão de fazer tudo o que é simpatia de réveillon. Já comi lentilhas, chupei sementes de romã, pulei as sete ondas, num pé só, despetalei rosas, fiz barca. Vesti branco, verde, vermelho, amarelo. Cada ano uma cor e num ano todas elas. Também já vesti preto num réveillon de muita revolta. Guardei dólar na carteira, tomei banho de champanhe, de sal grosso, imergi na água com arruda. Ri, chorei, soltei fogos, brindei. Esse ano troquei as simpatias por uma oração e um bom banho de chuva. Não pedi nada de especial porque cansei de anos novos no calendário, nas folhas do meu cheque e nas marcas do meu rosto. Sorte? Já não sei ao certo o que isso significa de verdade. Não que eu não tenha, só, muitas vezes, não a tenho reconhecido de muito perto. Acho que para esse ano sorte será ler os sinais que a vida tem me dado, antes que eles se percam por aí.
Assinar:
Postagens (Atom)







