Das poucas coisas que me validam, há certamente uma que se desprende de mim com tamanha leveza ao mesmo tempo que se prende a mim de maneira tal que não a posso deixar. Vai e volta cada vez mais forte, em momentos que eu por vontade não quero, mas por falta de escolha, preciso. Que desde que encontrei no um, dois, três,
cinco, seis, sete, algo que não sabia existir em mim, perdi a parte que talvez me fizesse triste de não ter mais jeito. Não que esse encontro tenha me projetado a alegria de estampas e sorrisos. Talvez seja até imperceptível na face. Mas a verdade é que uma pequena mudança, discreta, tímida, porém contínua, lá de dentro, por sob a pele, por sob os monstros que eu reconhecia maior em cada noite mal dormida, mudou para sempre a forma como eu enxergava os lados. É como se
um leve sopro me afastasse de um sono inquieto, nem que pelo tempo de uma música. Mas os efeitos, geralmente, perduram mais, em fragmentos no dia seguinte, e, quem sabe, no outro ainda, porque, na maior parte do tempo, são meus pés cansados que fazem meu dia mais leve. Que eu nunca mais esqueça que, mesmo nos dias em que essa chuva fina insista em borrar o meu caminho, mesmo nesses dias, eu tenho a dança em mim.

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