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22 junho 2009

Revista CB


Essa é a revista que escrevo. Esse é o seu Pedro, um simpático barbeiro e contador de histórias que eu entrevistei para a matéria Eternamente a seu dispor, sobre profissões antigas que ainda resistem. Eu disse que um dia escreveria sobre um assalto que sofri e que desencadeou muitas coisas boas na minha vida. Chegou a hora.



Se não tivesse recebido o telefonema da Glaucinha me animando, não teria ido à aula de gafieira aquela noite e não teria sido assaltada.

Se não tivesse sido assaltada, não teria pensando em colocar insufilme no meu carro, não teria me lembrando que ouvi uma amiga dizer, há muito tempo, que jornalista tinha direito ao insulfime pretão, que é proibido, não teria entrado na página do sindicado dos jornalistas para confirmar.

Se não tivesse entrado na página do sindicado, não teria visto que a revista CB havia sido lançada, não teria enviado um e-mail, não teria recebido ligação do Paulo meia hora depois perguntando se poderia fazer uma matéria e não estaria frilando para essa revista que eu adoro.

PS: Só pra constar, jornalista não tem direito ao insulfime pretão. A lei é igual para todos.

Texto para Milene Ruiz


Estava lendo o blog da minha amiga, Priscila Nicolielo, esses dias e revi um continho que escrevemos para a Milene Ruiz, que se casou em 2008. Nessa época, eu não tinha blog, então aproveito para postar hoje.

"Ele é um sujeito normal. Acorda cedo, toma café com leite e vai trabalhar. Talvez ao meio dia em ponto, sua barriga ronque pedindo por arroz e feijão. Quando dá seis da tarde, ele corre pra casa e liga a TV para assistir ao jornal e ao futebol.
O trabalho dela começa junto com a novela das seis. Da maquiagem ela vai para a rua, atrás de qualquer um que já tenha escancarado a vida pessoal para essas revistas que são vendidas nos supermercados. Há quem mate para ocupar o mesmo metro quadrado dos nomes que ela entrevista!
É justamente por ela chegar em casa quando ele acorda que resolveram se casar.
Com vestido e buffet encomendados, salão e igreja alugados, padrinhos escolhidos, ela se mandou para uma despedida de solteira na Bahia. Voltou cinco quilos mais magra. Pegou a doença do beijo. O noivo pensou em cancelar, mas depois de rever os canhotos dos cheques passados para a festança, voltou atrás. Pode ser que ainda planeje uma vingança e fuja com os trocos arrecadados pela venda da gravata. Pode ser que tenha acreditado na versão dela: se hospedou duas semanas em um SPA para entrar no vestido de noiva.
Os convidados souberam da cerimônia apenas dois dias antes. Ela havia se esquecido de entregar os convites por causa do SPA ou da Bahia (escolham a versão que mais lhes agrada). Azar dos noivos! Não ganhariam presentes e correriam o risco de ver gente de calça jeans e cabelo desconectado na festa! Se o noivo não avisasse, talvez ela se esquecesse de ir ao próprio casamento. Uma vez ele faltou na festa de aniversário dela. Ela não lembrou de chamá-lo. Daí surgiram boatos de que ele não existia. Seria apenas uma foto roubada de uma revista de moda retocada no Photoshop? Preferiria ele antes ou depois dos retoques? E ele, prefere ela com ou sem botox?
Apesar da incompatibilidade de agendas, casaram-se no dia oito de março de dois mil e oito. Fotos posadas e jornalísticas foram feitas para quem um dia contestar, exigência da noiva, que dois meses depois seria incapaz de recordar a cor do seu vestido.
Na festa, enquanto ele se diverte, ela se despede. Tem entrevista marcada com Ivete Sangalo, que apresentará à imprensa o seu novo namorado."