O adeus. Depois do banho apressado, da preguiça do despertar, do chá fervendo, da cama feita às pressas, do sorriso debochado, das frases desconexas da manhã, dos latidos de bom dia. Da noite mal dormida fica a dúvida. Nós vemos ainda? E a pergunta nunca feita também não atropela respostas vazias. Nenhum de nós ousaria. Mas o abraço mais demorado e o beijo mais encorpado duvidam do depois. Ficam como despedida. Eu não encorajo outro pensamento. Não espero o celular tocar. Não confiro emails. Os dias passam, às vezes, as semanas. Ainda sem resposta. A lingerie nova é mais prevenção do que vontade. Acabo me convencendo do pra sempre. Reservo seu espaço na lembrança. Anda Fraca, mas funciona. Não se espante se quando pensar em você não fizer queixas. Nem cobranças. Aprendi a priorizar os seus bons momentos e a limitar o meu acesso aos ruins que deixou. Normalmente faria o contrário. Deixaria os piores mais aparentes, para que antes de pensar em saudade e procurar o seu endereço no GPS, lembrar do por que mesmo que não fui atrás. É minha tática do adeus. De vez em quando dá certo. Mas com você não preciso. Você não pesa a minha cabeça. E isso é o que o deixa mais interessante. Dessa vez, não me obrigo a apagar números do meu telefone. Se algum dia me ligar de novo, vou saber que é você. E quem sabe retorno? Melhor pensar mais antes de discar. Nem sempre vale prolongar o fim de um caso que já foi desfeito.

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