04 outubro 2011
Um corpo
Ao abrir a porta viu seu corpo caído no tapete e seus olhos abertos fixando algum ponto que não podia identificar. Não foi preciso chegar perto. Nem sentir a (falta de) respiração. Era ele. Completamente imóvel. Alheio ao que quer que fosse. Talvez sua alma ainda rondasse a sala. Talvez visse quando ela entrou, deixou a bolsa no cabideiro, tirou os sapatos, não se desesperou. Não houve lágrima ou qualquer outro lampejo de tristeza. Nem mesmo espanto. De todos os momentos que viveram juntos, essa seria sua melhor recordação. Com serenidade e sarcasmo, aproximou-se do corpo, escorregou a mão pela testa fria e rígida e disse, suavemente, em seu ouvido: Agora você me devolveu a paz. E fechou seus olhos.
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