Passei batom, rímel e decorei o all star branco com gotas de esmalte vermelho ventania.
Peguei carona no balão que pegou fogo na frente da casa que você construía.
Queimei os olhos com faísca que respingou chuva e carbonizou fantasia.
Esperei deitada sem saber se podia dizer bom dia.
Segui seus passos apressados por carne mal passada e pitadas de melancolia.
Colori com canetinha roxa o prato em que você comia.
Fiz salada de macarrão, chocolate e ironia.
Bebi água da sarjeta enquanto você dormia.
Levei uma mordida do cachorro que me lambia.
Encontrei a lâmpada mágica no final do arco-íris que a lua escondia.
Fiz um desejo em voz alta de aflição que me sucumbia:
um brinde a bondade que toda a noite em mim morria.

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