E assim vamos fazendo as substituições. A margarina pelo requeijão, o
café pelo suco. E vamos substituindo também os caminhos principais pelos
atalhos. A coragem pela desconfiança. A
alegria pelo cansaço. E então nos deparamos com mais escolhas saídas da
necessidade em lugar da vontade. E vamos esquecendo sabores, sensações, situações.
Abraçamos as causas mais aparentes. Acreditando, talvez, que a
prudência nos faça menos ofegantes. Assim vamos
substituindo também os sorrisos espontâneos pelos menos
verdadeiros. A esperança pela paciência. A espera pelo remédio. A dor pela
vodca. E vamos substituindo as roupas, os calçados, os perfumes, as fraquezas. Pessoas, olhares, sentimentos. Um sonho por outro sonho. E
acordamos com novas razões e mais uma pilha de substituições,
desejando que alguma coisa, finalmente, faça sentido. E então chega a hora de nos substituírmos
por nós mesmos.
