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28 setembro 2009

Saudade da Buguinha

Sempre quis ter um cachorro Era louca por animais desde criança, mas a minha não deixava... De tanto insistir, um dia meu pai disse que me daria um. Eu escolhi o nome, fiz a caminha, preparei os potes para ele comer e beber, a bola para brincar, a coleira, mas o bichinho nunca chegou... Para meu consolo, me deixaram ter uma tartaruga, dessas que vivem parte na terra, parte no água. A Buguinha era minha companheira pra todas as horas. Ela ficava em cima do meu caderno, quando eu fazia a lição de casa, assistia à TV comigo, brincava de casinha... e principalmente estava ao meu lado todas as manhãs quando eu ficava de castigo na mesa e não podia sair até tomar o leite que eu sempre detestei. A Buguinha ficou comigo cerca de um ano, morreu no dia do Natal. Até hoje sonho com ela. Ontem mesmo sonhei com ela.

26 julho 2009

Trauma

Ainda com a lembrança das pernas bem torneadas que ela exibia por baixo de uma minissaia e dos volumosos seios que, se não tinham sido feitos numa sala de cirurgia, certamente seriam herança da uma família de matronas, ele abriu o orkut. Procurou pelo nome dela e encontrou três Júlias Bak. A que lhe interessava era a mais discreta da lista. No lugar da foto, um desenho. Estranhou que alguém tão bonita preferisse usar uma animação e chegou a pensar que talvez ela fosse mais discreta do que supunha, mas essa impressão se desfez assim que ele entrou no perfil dela. Nas fotos do álbum, com privacidade zero, ela aparecia com menos roupa do que as que ele tinha na lembrança e, mesmo chamando a sua atenção, elas não conseguiram fazer com ele desistisse do alvo de sua pesquisa. Abriu uma lata de cerveja e passou o mouse na lista de comunidades. Espantou-se ao ver a quantidade que ela tinha: 374. Mas o número não o desanimou e ele se dispôs a examinar, pacientemente, cada um delas. Passou os olhos nas “Eu adoro bolsa cara”, “Eu tenho medo da ‘véia’ quacker”, “Eu vou ao cinema sozinho”, “Eu bebo e ligo para as pessoas”, achou graça da que dizia “Eu gosto de homens de roupa preta”. Meu Deus, quanta bobagem! Clicou na página seguinte e assim que ela se abriu, ele fixou os olhos na primeira comunidade: “Vá fumar na PQP”. Vamos ter problemas, previu, lembrando de sua ex. Mais adiante, outra comunidade atraiu a sua atenção. “Eu só add gatos”. Apesar de ser bem apresentável, ele não era exatamente o que se poderia chamar de gato e, talvez por insegurança, tenha repensado a roupa com a qual pretendia encontrar-se com ela de noite. De repente uma camiseta descolada, e da cor preta, conferisse um ar mais simpático que a camisa de colarinho branca que ele tinha mandado lavar. Mas logo se esqueceu da roupa para distrair-se com outra comunidade. “Sem carro, sem chance!”. Mas que Maria Gasolina! Mais adiante. “Comigo só casando”. Ah, vai esperando sentada. Eu conheço esse tipo. Um dia, elas levam uma roupa para dormir na sua casa, no outro já estão mudando a cor da sua parede. Não, casamento comigo nunca mais. Acendeu um cigarro, tomou outro gole de cerveja e foi para a página seguinte. “Quem nunca traiu?!” Ah, claro e quando você descobre, já estão se mudando para a casa do vizinho bonitão da frente, enquanto o seu cartão de crédito estoura por causa do vestido que você, trouxa, comprou para comemorar o terceiro ano de casamento. E nesse momento ouviu a música que um dia dedicou à ex-mulher tocar em seu ceular. Exaltado pelas lembranças, pegou o aparelho, viu no identificador de chamadas Júlia Bak e atendeu com impaciência. A moça, sem notar a sua irritação, sorriu e perguntou a que horas ele a pegaria em casa.
Pegar? Eu? Peça para um dos seus gatos ir te pegar, porque se você pensa que eu vou ser trouxa de sair com alguém que só quer saber da marca do meu carro e da bolsa cara que vai ganhar, você está muito enganada. Eu não vou me casar com uma interesseira como você que vai me botar um chifre com o primeiro que aparecer. E tem outra coisa, não pense que vai me fazer lagar os dois maços de cigarros que eu fumo por dia por aqueles chicletinhos vagabundos. É bom que você saiba que nunca mais uma mulher vai me fazer sair da minha própria casa pra fumar, ouviu bem, nunca mais, a casa é minha, porra! E quer saber do que mais? Vá você para a puta que te pariu, ingrata!

25 julho 2009

Encontrei minha inspiração

Encontrei minha inspiração. Aquela que sumiu sem dizer nada. Que temi ter sido atropelada, ter levado uma bala perdida, ter batido com a cabeça na calçada. Nada. Estava lá, subindo as escadas enquanto eu as descia. Intacta. E e cada vez mais distante.

Estou virando bruxa

Há algum tempo uma amiga me chamou a atenção para o fato de eu estar sempre de preto. Nunca tinha reparado. Dia desses abri o guarda-roupa e notei: preto e roxo. E uma pessoa me chamou de emo na rua. E ganhei uma varinha de uma bruxa. E ela disse que muitas pessoas pedem, mas não é qualquer uma que ganha.

Escape

Entrevistando o meu amigo para uma materia sobre os escapes da nossa rotina, ele disse: "A dança me fez ver o mundo de uma forma diferente e até as pessoas de uma forma diferente".
A mim também.

22 junho 2009

Revista CB


Essa é a revista que escrevo. Esse é o seu Pedro, um simpático barbeiro e contador de histórias que eu entrevistei para a matéria Eternamente a seu dispor, sobre profissões antigas que ainda resistem. Eu disse que um dia escreveria sobre um assalto que sofri e que desencadeou muitas coisas boas na minha vida. Chegou a hora.



Se não tivesse recebido o telefonema da Glaucinha me animando, não teria ido à aula de gafieira aquela noite e não teria sido assaltada.

Se não tivesse sido assaltada, não teria pensando em colocar insufilme no meu carro, não teria me lembrando que ouvi uma amiga dizer, há muito tempo, que jornalista tinha direito ao insulfime pretão, que é proibido, não teria entrado na página do sindicado dos jornalistas para confirmar.

Se não tivesse entrado na página do sindicado, não teria visto que a revista CB havia sido lançada, não teria enviado um e-mail, não teria recebido ligação do Paulo meia hora depois perguntando se poderia fazer uma matéria e não estaria frilando para essa revista que eu adoro.

PS: Só pra constar, jornalista não tem direito ao insulfime pretão. A lei é igual para todos.

Texto para Milene Ruiz


Estava lendo o blog da minha amiga, Priscila Nicolielo, esses dias e revi um continho que escrevemos para a Milene Ruiz, que se casou em 2008. Nessa época, eu não tinha blog, então aproveito para postar hoje.

"Ele é um sujeito normal. Acorda cedo, toma café com leite e vai trabalhar. Talvez ao meio dia em ponto, sua barriga ronque pedindo por arroz e feijão. Quando dá seis da tarde, ele corre pra casa e liga a TV para assistir ao jornal e ao futebol.
O trabalho dela começa junto com a novela das seis. Da maquiagem ela vai para a rua, atrás de qualquer um que já tenha escancarado a vida pessoal para essas revistas que são vendidas nos supermercados. Há quem mate para ocupar o mesmo metro quadrado dos nomes que ela entrevista!
É justamente por ela chegar em casa quando ele acorda que resolveram se casar.
Com vestido e buffet encomendados, salão e igreja alugados, padrinhos escolhidos, ela se mandou para uma despedida de solteira na Bahia. Voltou cinco quilos mais magra. Pegou a doença do beijo. O noivo pensou em cancelar, mas depois de rever os canhotos dos cheques passados para a festança, voltou atrás. Pode ser que ainda planeje uma vingança e fuja com os trocos arrecadados pela venda da gravata. Pode ser que tenha acreditado na versão dela: se hospedou duas semanas em um SPA para entrar no vestido de noiva.
Os convidados souberam da cerimônia apenas dois dias antes. Ela havia se esquecido de entregar os convites por causa do SPA ou da Bahia (escolham a versão que mais lhes agrada). Azar dos noivos! Não ganhariam presentes e correriam o risco de ver gente de calça jeans e cabelo desconectado na festa! Se o noivo não avisasse, talvez ela se esquecesse de ir ao próprio casamento. Uma vez ele faltou na festa de aniversário dela. Ela não lembrou de chamá-lo. Daí surgiram boatos de que ele não existia. Seria apenas uma foto roubada de uma revista de moda retocada no Photoshop? Preferiria ele antes ou depois dos retoques? E ele, prefere ela com ou sem botox?
Apesar da incompatibilidade de agendas, casaram-se no dia oito de março de dois mil e oito. Fotos posadas e jornalísticas foram feitas para quem um dia contestar, exigência da noiva, que dois meses depois seria incapaz de recordar a cor do seu vestido.
Na festa, enquanto ele se diverte, ela se despede. Tem entrevista marcada com Ivete Sangalo, que apresentará à imprensa o seu novo namorado."

24 maio 2009

Pique-Esconde

Quando você acordar, eu já terei ido.
Não vou deixar carta, sorriso.
Nem aquele bolo de chocolate que você gosta quente.
O café-da-manhã você prepara, mas não me espere.
Não volto mais.
Fique com a minha música.
O meu cachorro, não. Dê.
Tire as fotos do porta-retrato, faça o que quiser com elas.
O lençol, a fronha e o travesseiro são novos, se não gostar, troque.
Troque a casa inteira: sofá na varanda, mesa no quarto, cama no chuveiro.
O carteiro chega às nove. E o lixeiro só de sexta.
Saia de casa.
Chore.
Quando voltar, abra as janelas. Deixe o vento entrar e a chuva atrapalhar o seu pensamento.
Faça os sonhos chegarem a você, porque é neles que eu agora vivo.
Não sinta pelas palavras que não disse, pelas broncas em excesso, pela paciência perdida.
Agora tudo está mais pesado.
Mas a sua vida segue.
Que seja o bastante até o fim do dia.

21 abril 2009

De trás pra frente

Já parou para analisar como você chegou onde chegou?
Não precisa nem ser algo profundo.
No filme "O Curioso Caso de Benjamin Button" há um exemplo bem bacana.
O narrador começa a analisar um fato que desencadeou numa série de eventos que culmiram com o atropelamento da mocinha.
Isso acontece direto em nossas vidas, para o bem e para o mal.
Comigo foi recentemente. Se não tivesse sido assaltada...
Ainda escrevo sobre isso.

13 abril 2009

Balé dos Pássaros

A vida se enfeita na dança
A beleza da suavidade
Estampa a valsa
Que traz você

Vôo sublime
Arranca os pés do chão
Estremece sentidos
No entrelace de pernas
Que levitam em nuvens
Da perfeição

Agora tocam o solo
E giram o sentido da razão
O rodopio estremecido
Brinda de branco o balé
Dos pássaros...

A beleza entrelaça a valsa
O vôo dos sentidos
Arranca da suavidade
O balé coreografado da vida
Que é você.

17 março 2009

Vai um amendoim aí?

Já foi mais paciente, mas agora por pouco sai de si. Treinou no espelho que forma daria à frase: não perturbe! Mas nem todos conseguem decifrar sua expressão, principalmente vendedor em lugar errado. Quantas vezes vai ter que abrir o vidro pra falar que não quer a fruta da estação, o fone para o celular ou o carregor da bateria? Ou vai precisar dizer que não está interessada em queijo quali, canga e tatuagem de hena? Vai um amendoim aí? Vai você... deixa para lá. Pior é quando ligam para sua casa. Uma voz animada diz que por causa do seu ótimo relacionamento com o banco, tem direito a mais crédito, mais limite, mais facilidade. Semana passada, recebeu quinze ligações da telefônica. Queriam que assinasse o speed. Outro dia viu uma blusinha na vitrine e entrou para experimentar. Não ficou boa. Agradeceu à moça e já ia saindo da loja quando a vendedora disse: Você veio aqui para ver blusas então vai ver blusas. Desse jeito mesmo. Ela a ameaçou. E quando o vendedor fica batendo no provador de minuto em minuto perguntando se a calça está ficando boa. Se ao menos ele desse tempo de saber se gostou. Não "convencido" da recusa, quer ver ele mesmo como ficou. É incrível como qualquer coisa fica bem porque combina com a cor da pele, porque deixa mais magra, porque deixa mais alta, porque deixa mais elegante... É por essas e outras que dança.

16 março 2009

Palavras

...nestas coisas da escrita, não é raro que uma palavra puxe por outra só pelo bem que soam juntas, assim muitas vezes se sacrificando o respeito à leviandade, a ética à estética, se cabem num discurso como este tão solanes conceitos, e ainda por cima sem proveito para ninguém. Por essas e outras é que, quase sem darmos por isso, vamos arranjando tantos inimigos na vida.
(A Viagem do Elefante, José Saramago)

13 março 2009

Amo essa foto


Foi tirada numa cidade da Alemanha, não lembro o nome do fotógrafo.

Às vezes...

Uso termos que não compreendo

E significados que só eu sei

Imposto uma voz que não é minha

E um tom sarcástico que não tenho

Penso em sinônimos errados

Repito palavras comuns

Omito nomes, lugares, figuras

Fantasio o que aconteceu

E invento rimas sem coragem

Duvido do bom senso e da bondade

E irrito de maldade

Desvio o olhar quando quero encarar

Perco caminhos que passei

Vou a lugares sem vontade

Esqueço recados anotados

Enterro vida sonhadas

E termino pela metade...

Desencontro

Chegou com flores, saiu com lágrimas.

11 março 2009

Sinceras mentiras

Calculava umas quinze pessoas a sua frente e, apesar de não se incomodar com filas maiores, pensou em desistir. Tenho compromisso para logo mais, diria, se alguém perguntasse, mas não foi preciso. Ficou. Enquanto esperava sua vez, ouvia os comentários da fila e protestava para si mesmo: tudo um bando de puxa-sacos. Terei de ser eu a dizer-lhe a verdade. Na metade da fila, pôde ter uma visão parcial dela. Sentada atrás de uma mesa, ela agradecia ao visitante que comprou três de suas publicações. Coitado, se não foi para agradar, certamente nunca provou uma de suas receitas. Quando descobrir vai ser tarde. Pior se antes tiver presenteado alguém com um dos livros. Sua hora ia se aproximando e ele foi ficando cada vez mais impaciente, olhava para o relógio, para os lados, voltava a prestar atenção nos comentários da fila e pensava no que iria dizer quando ela perguntasse o que achou. Péssimo, claro, quando você vai descobrir que não tem talento? Agora havia três pessoas a sua frente e ele teve uma visão mais nítida da autora. Com o pé descalço, ela acariciava o tapete felpudo. Com o outro, que ainda mantinha em cima de um salto agulha, batia sem parar no chão. Compreensivo, pensou. Até para renomados, noites de autógrafos devem causar calafrios. Mas as mãos não demonstravam nervosismo. E foi com firmeza que ela pegou um livro de sua pilha, fez uma curta dedicatória e disse sorrindo. Que surpresa, não esperava você aqui. Boa? Certamente! Então, o que achou? Não sei se sou a pessoa mais indicada para... Pode me dizer, você não gostou? Pelo contrário, é o seu melhor.

08 março 2009

Uma dança

Atropelam a lembrança
E confudem a cabeça

São imagens turvas
Reais onde inventa

Só distingue os pés
O ritmo do olhar
A direção do desejo

Somam vozes
Pensamento
Um sorriso vago
A batida da lembrança

São imagens escassas
Inventadas onde lembra

Não distingue o movimento
A pressão do corpo
A força da sensibilidade

Chegam e fogem
E enganam a memória
E desviam o pesamento

Voltam e ficam
E fixa na cabeça
“Eu ainda danço com você”.

06 março 2009

Os dias são iguais

Acorda depressiva e não sente vontade de sair da cama. Espera o terceiro toque do despertador para levantar. Sente fome, mas não pode engolir o café. Passa água na cara e maquiagem pra disfarçar o inchaço das pálpebras. Só volta a sorrir de tardezinha, quando as moças do escritório se reúnem na cozinha para o café. É nessa hora que se distrai com as histórias que ouve. Algumas são bem engraçadas. Outras, pura invenção de quem provavelmente não tem nada pra contar. As que mais gosta são as tristes, melhor ainda se forem mais tristes que a sua. Nessa hora, pensa que deveria ser mais alegre e consegue colocar um pedaço de bolo de cenoura com cobertura de chocolate na boca e sentir gosto. De noite é pior. Deita na cama com leveza, cobre-se, apaga a luz do abajur e não consegue pegar no sono. Toma uma, duas pílulas. Volta a pensar em sua vida e esquece as histórias tristes que ouviu de tarde. Só pensa que poderia de ter feito mais e não fez. E adormece de cansaço.

04 março 2009

A partir de hoje não escrevo mais...

A minha inspiração se foi. Nem avisou que ia. Simplesmente não apareceu mais. Pode ser que alguma coisa tenha acontecido. Coisa grave, talvez. Pode ter sido atropelada, ter levado uma bala perdida, ter batido com a cabeça na calçada...ter morrido. Não, não morreu. Dizem que notícia ruim chega rápido. Não chegou nenhuma, nem boa nem ruim. Nada. E eu... bom... eu não posso mais escrever. Vou esperar minha inspiração voltar. Assim então volto a escrever. Ou quem sabe escreva antes disso. Quem sabe não seja a hora de trocar de inspiração...

01 março 2009

Rotina

Hoje eu não quero saber da vizinha que fugiu com o mecânico porque estava cansada de sustentar o marido bêbado. Do carro que quebrou a cinco quarteirões e teve de ser empurrado porque o dono não teve dinheiro para o guincho. Não me interessa o cachorro que pegou sarna e foi sacrificado pra não passar doença para o bebê. Nem as frutas que apodreceram porque a chuva não deixou ter feira. Não quero saber da mulher que chorou para o encanador não cortar a água, do apresentador da TV que teve um ataque cardíaco ao vivo e conseguiu a audiência que nunca teve em vida e da fábrica que demitiu metade dos funcionários para sobreviver à crise. Não fale do pai que matou o filho para não pagar a pensão, da mulher que simulou a morte para dar golpe na seguradora e do gato que mesmo de barriga cheia abocanhou o passarinho que tomava água no bebedouro do jardim. Não quero ver o beijo da atriz famosa no amante nem a entrevista do traficante que culpa a pobreza pela falta de chance. Não quero ouvir falar do garoto que riu do tombo da velhinha, do amante que não recebeu transplante do coração da mulher porque o marido não deixou e da moça que saiu de casa e nunca mais foi vista. Hoje eu não quero rotina.

17 fevereiro 2009

Vira-e-mexe

A cabeça não atende mais às pressões do corpo. Ele quer continuar em repouso, depois de um dia cheio. Ela não dá trégüa. Faz com que ele vire para lá e para cá, como numa dança cujo ritmo é ditado pela intensidade de seus pensamentos. É um combate injusto. Sabe que a dor do cansaço não seria capaz de vencer a de ressentimentos tão profundos que nem a escuridão poderia disfarçar. Rende-se.

09 fevereiro 2009

Um Pássaro

Os cabelos dela eram tão lisos que não havia grampo que os sustentassem. Talvez por isso tenha preferido deixá-los ao vento. Ele a trazia no colo. Ela sorria, entre um gole de mamadeira e outro. Alguém que entendesse de criança diria que ela não tinha mais de dois anos. E se olhasse com mais atenção perceberia que tinha o sorriso dele. Ela era o seu pássaro e ele a ensinava a voar. Começou erguendo-a pro alto. Depois, num rasante, trouxe-a de volta pra junto de seu peito. Ela ria, ele repetia a brincadeira e eu observava a cena mais linda do dia.

19 janeiro 2009

"Como se fosse a primeira vez"

É a quarta fez que eu assisto a esse filme nessa semana. Não pára de passar e não sei por que eu sempre assisto. Gosto quando ele fala: "Vc me apagou das lembranças para que eu pudesse ter uma vida plena e feliz, mas o único modo de eu ter uma vida plena e feliz é com você"! Tô começando a achar o Adam Sandler bonito.

11 janeiro 2009

Sabe quando o melhor é não ouvir, não falar e, principalmente, não ver?! Mas vai explicar isso àquela vontade que vem não se sabe de onde e só vai quando foi satisfeita, não pelo o que viu, mas porque viu.

07 janeiro 2009

"De que callada manera"

"De que callada manera se me adentra usted sonriendo,
como si fuera la primavera... yo muriendo!
y de que modo sutil me derramo en la camisa
todas las flores de Abril.
Quien le dijo que yo era
risa siempre y nunca llanto?
como si fuera la primavera
no soy tanto!
En cambio, que espiritual que usted me brinde una rosa
de su rosal principal!"

03 janeiro 2009

Ano Novo

Quem espera mais de 2009, como eu, é bom ter sempre em mente as palavras de Carlos Drummond de Andrade: "...o ano só é novo para quem o merece, para quem o faz novo".