06 março 2009
Os dias são iguais
Acorda depressiva e não sente vontade de sair da cama. Espera o terceiro toque do despertador para levantar. Sente fome, mas não pode engolir o café. Passa água na cara e maquiagem pra disfarçar o inchaço das pálpebras. Só volta a sorrir de tardezinha, quando as moças do escritório se reúnem na cozinha para o café. É nessa hora que se distrai com as histórias que ouve. Algumas são bem engraçadas. Outras, pura invenção de quem provavelmente não tem nada pra contar. As que mais gosta são as tristes, melhor ainda se forem mais tristes que a sua. Nessa hora, pensa que deveria ser mais alegre e consegue colocar um pedaço de bolo de cenoura com cobertura de chocolate na boca e sentir gosto. De noite é pior. Deita na cama com leveza, cobre-se, apaga a luz do abajur e não consegue pegar no sono. Toma uma, duas pílulas. Volta a pensar em sua vida e esquece as histórias tristes que ouviu de tarde. Só pensa que poderia de ter feito mais e não fez. E adormece de cansaço.
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