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29 outubro 2011

Lado de fora

Sonhei de novo aquele sonho que eu não gosto. Que me acorda ofegante e doída e escurece a manhã de domingo. E as vozes que eu, acordada, não paro de ouvir, se juntam às risadas da casa vizinha para me atormentar. O que eu vi, imaginei, sonhei, precisei. Tudo me alcança fácil agora. E eu pensei mesmo que pudesse evitar. Que afastar resolveria. Tentei de verdade porque sei que eu já fui melhor. E  que não participo mais desse sonho. Nem como expectadora que virei. Dessa vez escolho o lado de fora. E não se fala mais nisso.

26 outubro 2011

Desconstrução

Eu não tenho a minha cara. Assim como minhas roupas, a maquiagem, o corpo, o cabelo, o sorriso, o espelho. Há pontes que não se encaixam em mim, mas foram forçadas a se ajustar, me fazendo mais sombra que objeto. E o material que me formou ficou tão distorcido que mal consigo reconhecer meu próprio esboço. Mas dele já sei retirar o que não me cabe mais. E é assim, me desconstruindo de crenças que já não convencem, que vou me construindo. Embaraçosamente devagar. Mas a cada manhã um novo pequeno pedaço desfeito se completa em mim.