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24 maio 2009

Pique-Esconde

Quando você acordar, eu já terei ido.
Não vou deixar carta, sorriso.
Nem aquele bolo de chocolate que você gosta quente.
O café-da-manhã você prepara, mas não me espere.
Não volto mais.
Fique com a minha música.
O meu cachorro, não. Dê.
Tire as fotos do porta-retrato, faça o que quiser com elas.
O lençol, a fronha e o travesseiro são novos, se não gostar, troque.
Troque a casa inteira: sofá na varanda, mesa no quarto, cama no chuveiro.
O carteiro chega às nove. E o lixeiro só de sexta.
Saia de casa.
Chore.
Quando voltar, abra as janelas. Deixe o vento entrar e a chuva atrapalhar o seu pensamento.
Faça os sonhos chegarem a você, porque é neles que eu agora vivo.
Não sinta pelas palavras que não disse, pelas broncas em excesso, pela paciência perdida.
Agora tudo está mais pesado.
Mas a sua vida segue.
Que seja o bastante até o fim do dia.