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15 dezembro 2011

Chega. Agora chega. E eu de novo repetindo em silêncio palavras que elegi na tentativa descarada da ilusão. Como se o tom de promessa, empenhado com esforço, pudesse mesmo evitar que o estômago embrulhasse de raiva. E todas as vezes em que acreditei que bastava, de verdade, para depois me comprometer ainda mais em lágimas de redenção. Eu sei como é humilhante descer mais degraus dos que os que eu subi e como cada passo para cima, depois de tantas quedas, sai sempre menos corajoso e mais preguiçoso. Chega. E que eu possa voltar aqui e dizer: que hoje é a minha vez.

13 dezembro 2011

Espero por algo que está para acontecer. Não é coisa ruim, mas, ainda assim, não devo gostar. Eu sinto isso forte quando eu vou dormir e todas as vezes em que acordo. É a sensação familiar de me afastar quando todo o mundo se encontra. E num papo com amigos, numa cena dramática da novela, no estúdio de fotografia, eu me noto sorrindo feliz de não ter explicação nem intenção. E quando a noite chega e não permite disfarce, lembro a primeira vez que perdi meu lugar no mundo e o quanto custou recuperar meu espaço. E tudo o que ainda pago por ele. E de novo a sensação que não se concretiza e nem se desfaz, me avisa que estou para perder, mais uma vez, o meu lugar.