Foto de Patrícia Cividanes, tirada no ensaio da peça Complexo Sistema de Enfraquecimento da Sensibilidade, da Cia de Teatro Antro Exposto. Fica em cartaz até o dia 11 de dezembro, no Centro Cultural Rio Verde, rua Belmiro Braga, 119, Vila Madalena-SP, às quintas, a partir das 21h00.
08 novembro 2008
Dois Lados
Arrancou a folha do mês de agosto e viu setembro chegar ao calendário, pela primeira vez em muitos meses, com dinheiro na conta. Duzentos reais. Pensou em comprar um, quem sabe dois pares de botas de cano longo já que, com a proximidade da primavera, as lojas estariam liquidando. Mas logo percebeu que, se conseguiu pôr as finanças em ordem, foi porque evitou pensamentos como esse. E ao se dar conta que esses segundos que lhe fizeram sorrir poderiam facilmente levar o que conquistou durante meses, sentiu um vazio enorme. Não que se importasse em ver os seus duzentos transformados em dois pares de botas, embora soubesse que o mais prudente seria poupá-los para o fim do ano. O que a incomodava era lembrar que uma decisão, tomada muitas vezes por impulso, poderia pôr a perder o que minutos antes estava tão próximo de si que julgaria ser seu. Era primeiro de setembro e a caixinha do correio estava vazia. A ausência de contas só não tornou a sua manhã perfeita porque o vácuo que sentiu ao percorrer a mão por dentro da caixa causava uma dor tão profunda que, todas as manhãs, ao repetir o gesto, saía de casa com o desejo de que algo ruim lhe acontecesse. Mas logo que esse pensamento lhe vinha, envergonhava-se de tal maneira que não conseguia encarar as pessoas e torcia para não encontrar ninguém conhecido que viesse puxar papo até o ponto do ônibus. Não tinha tendência à depressão, mas há tanto tempo esperava por uma resposta que nunca chegava que acabara por se tornar dependente dela. Sabia que o desprezo, por si só, já era uma resposta, talvez a pior. Preferiria ouvir os piores palavrões e ser amaldiçoada por cem gerações. Mas essa que era a pior das respostas se revelaria também inacabada, porque enquanto não ouvisse os palavrões e não fosse amaldiçoada, uma esperança que não era bem vinda dominava os seus pensamentos todas as noites, e, por mais que soubesse que era por culpa dessa esperança que sempre acordava ansiosa por uma resposta que jamais teria, ela lhe agradecia, porque era só quando podia esperar pelo perdão, na caixinha do correio, na manhã seguinte, que conseguia dormir.
Entre e fique à vontade
Esse ano resolvi me conectar ao mundo virtual. Primeiro, foi o orkut (que eu uso pouco), depois o twitter (que eu quase não uso), agora o Blog (que eu pretendo usar mais). Vou compartilhar com vocês um pouco das minhas idéias e opiniões. Como também vou escrever ficção, adianto, desde já, que nem tudo será autobiográfico, mas pode ser inspirado nas minhas experiências e de pessoas próximas ou não. Entre, fique muito à vontade e deixe seu comentário, se quiser. Um abraço a todos.
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