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17 setembro 2012

Ainda ontem


Que ainda ontem as lembranças não chegavam. E o sorvete de coco tinha mais sabor da fruta que da saudade. O pôr do sol moldava os rostos que eu não conhecia e o vento liberava todos os medos que eu fingia. Que ainda ontem as risadas não doíam. E os passos seguiam mais a intuição que a vontade. O suor molhava os sonhos que eu teria e a areia escondia as dúvidas que eu distraía. Que ainda ontem o cansaço não incomodava. E a maresia tinha mais toque de leveza do que intimidade. As redes pescavam os gritos que não eu não daria e o céu brilhava as vozes que eu mentia. Que ainda ontem as memórias não ousavam. E o mar balançava mais emoção do que naturalidade. As bolhas de sabão embrulhavam os sons que eu não sabia e os pássaros cantavam as lágrimas que eu perdia. Que ainda ontem o sono não escapava.  E as ondas lavavam mais ilusão do que sensibilidade. A brisa afogava as certezas que me perseguiam e o cachorro lambia as dores que eu escondia. Que ainda ontem o coração não falhava.