Eu queria explicar, mas nem sei por que palavras. Bem que eu poderia escolher as melhores e ninguém que lesse ia dizer que não entendeu. Eu mesma me convenceria de que não passou de uma mentira, entre todos os enganos que pontuam a minha história. Mas quando eu percebi não dava mais. Não deu tempo de andar de bicicleta. Nem de bater uma foto. E tudo o que fazia sentido parece tolice. Quer saber? Eu culpo a lua. A lua que está na primeira casa do meu mapa astral. Que faz de tickets de estacionamento barquinhos de papel, que ofusca os caminhos por onde andei e que agora não me deixa seguir sem dar uns bons passos pra trás.
08 outubro 2011
06 outubro 2011
O arco-íris que a lua escondia
Passei batom, rímel e decorei o all star branco com gotas de esmalte vermelho ventania.
Peguei carona no balão que pegou fogo na frente da casa que você construía.
Queimei os olhos com faísca que respingou chuva e carbonizou fantasia.
Esperei deitada sem saber se podia dizer bom dia.
Segui seus passos apressados por carne mal passada e pitadas de melancolia.
Colori com canetinha roxa o prato em que você comia.
Fiz salada de macarrão, chocolate e ironia.
Bebi água da sarjeta enquanto você dormia.
Levei uma mordida do cachorro que me lambia.
Encontrei a lâmpada mágica no final do arco-íris que a lua escondia.
Fiz um desejo em voz alta de aflição que me sucumbia:
um brinde a bondade que toda a noite em mim morria.
Peguei carona no balão que pegou fogo na frente da casa que você construía.
Queimei os olhos com faísca que respingou chuva e carbonizou fantasia.
Esperei deitada sem saber se podia dizer bom dia.
Segui seus passos apressados por carne mal passada e pitadas de melancolia.
Colori com canetinha roxa o prato em que você comia.
Fiz salada de macarrão, chocolate e ironia.
Bebi água da sarjeta enquanto você dormia.
Levei uma mordida do cachorro que me lambia.
Encontrei a lâmpada mágica no final do arco-íris que a lua escondia.
Fiz um desejo em voz alta de aflição que me sucumbia:
um brinde a bondade que toda a noite em mim morria.
04 outubro 2011
Um corpo
Ao abrir a porta viu seu corpo caído no tapete e seus olhos abertos fixando algum ponto que não podia identificar. Não foi preciso chegar perto. Nem sentir a (falta de) respiração. Era ele. Completamente imóvel. Alheio ao que quer que fosse. Talvez sua alma ainda rondasse a sala. Talvez visse quando ela entrou, deixou a bolsa no cabideiro, tirou os sapatos, não se desesperou. Não houve lágrima ou qualquer outro lampejo de tristeza. Nem mesmo espanto. De todos os momentos que viveram juntos, essa seria sua melhor recordação. Com serenidade e sarcasmo, aproximou-se do corpo, escorregou a mão pela testa fria e rígida e disse, suavemente, em seu ouvido: Agora você me devolveu a paz. E fechou seus olhos.
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