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21 maio 2012

Frestas de Transparência


Sentia falta de falar. Não só de escrever. De ouvir as palavras saírem da boca sem pensar antes no que dizer. Sem intencionar cada letra, vírgula e ponto às regras. Sem sinônimos para as repetições. Sem norma. Priorizar o improviso à estética. Falar como saísse, como viesse. Frases incompletas, incorretas, insensatas. Talvez acreditando que a rapidez do raciocínio esclarecesse sentidos menos nobres e mais inteiros. Fechando, às vezes, lacunas de verdades e, outras vezes, abrindo frestas de transparência. Deixando à mostra a dor, a raiva, a imperfeição, a calma, a alma, a adoração, a vontade, a saudade, a beleza, a dúvida, a leveza. Falar por falar, por querer, por saber. Falar e ser ouvida. Sem obrigações, nem regras, nem normas, nem imposições. Falar e ouvir. E falar mais. E falar até ouvir.