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08 setembro 2012

História minha


São distorções, borrões, rascunhos. Numa tigela não muito funda, um pouco do que sou se mistura agora com o que eu teria sido e com o que ficou perdido em um tempo que eu não lembro mais. Um pouco também do vi e do que ouvi. Em vozes que eu já não reconheço. Histórias que eu queria contar como minhas. Porque tudo parece mais claro de fora. Mais limpo. A dificuldade que sinto de enxergar de muito perto me leva a lugares que sempre desprezei. E uma vez neles, não sobram muitas saídas. Talvez um mergulho nas profundezas de mim seja a questão. Ou a ilusão que resta para libertar tudo aquilo que eu não controlo mais. É difícil saber ao certo o que encontrar em caminhos tortuosos, moldados com lama, dúvida e fantasia e decorados por uma devastação intensa que beira a loucura. Mais difícil é precisar percorrê-los um dia para saber como termina a história que um dia foi minha.

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