Entre a pressa
de olhares corridos e o exasperar incontrolável dos sentidos, confundindo
timidez com indiferença, passos com rodopios, frases de tempo com declarações, existe
um intervalo de tempo curto, mas controlável, em que se pode enforcar os
pensamentos mais obscuros e dobrá-los à razão em lugar do desejo. É nesse
intervalo que Emília se encontra nesse momento. Ela sabe que trocar o caminho
principal por um atalho desconhecido e misteriosamente perigoso agora é
suicídio premeditado, de todos os anseios que já conseguiu dominar. E que dessa
vez não suportaria o frio das noites intensas de inverno, porque suas crenças
não podem mais aquecer a carne e a ferida expostas em museus da
sua própria consciência. Mas a tentação. Ah... A tentação de ver uma
substituição tal como deve ser. E a fome de vingança. A sede do novo. É quase
como se não existisse escolha. Emília
tem pouco tempo antes de suspirar o estrago. Mas se vai mesmo optar pela
fantasia, que suas futuras dores de cabeça não culpem o brilho de seus olhos,
mas o verde dos olhos que os fazem brilhar.

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