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17 agosto 2012

Verde dos olhos



Entre a pressa de olhares corridos e o exasperar incontrolável dos sentidos, confundindo timidez com indiferença, passos com rodopios, frases de tempo com declarações, existe um intervalo de tempo curto, mas controlável, em que se pode enforcar os pensamentos mais obscuros e dobrá-los à razão em lugar do desejo. É nesse intervalo que Emília se encontra nesse momento. Ela sabe que trocar o caminho principal por um atalho desconhecido e misteriosamente perigoso agora é suicídio premeditado, de todos os anseios que já conseguiu dominar. E que dessa vez não suportaria o frio das noites intensas de inverno, porque suas crenças não podem mais aquecer a carne e a ferida expostas em museus da sua própria consciência. Mas a tentação. Ah... A tentação de ver uma substituição tal como deve ser. E a fome de vingança. A sede do novo. É quase como se não existisse escolha.  Emília tem pouco tempo antes de suspirar o estrago. Mas se vai mesmo optar pela fantasia, que suas futuras dores de cabeça não culpem o brilho de seus olhos, mas o verde dos olhos que os fazem brilhar.

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